O que a Semitótica tem a ver com o Cinema?

///O que a Semitótica tem a ver com o Cinema?

O que a Semitótica tem a ver com o Cinema?

Resposta simples, TUDO! Para quem não sabe, Semiótica é a ciência que estuda os signos (sinais, símbolos, significados). Atualmente, ela se baseia na Teoria Peirceana – elaborada por Chales Sanders Peirce (1839-1914) – que propõe que as ideias, as cognições e até nós somos entidades semióticas.

O Cinema é um fenômeno audiovisual e a Semiótica se apresenta como uma ciência fenomenológica, que categoriza os modos como os fenômenos são absorvidos pela mente. O entendimento dela se torna de essencial importância para quem deseja conceber um filme que trabalhe os sentidos e os sentimentos do espectador.

Evitarei me aprofundar no assunto – que é bem extenso – para que o artigo não fique chato. O que realmente importa para nós, cineastas, cinematógrafos, filmmakers, ou o que você gostar de se chamar ou ser, é que Pierce nos propôs três categorias para os fenômenos semióticos:

  • Primeiridade – categoria do acaso, do frescor, da originalidade. É quando você vê algo pela primeiríssima vez, uma cena que você nunca imaginou que poderia ocorrer naquele momento. Um exemplo é quando o noivo avista sua noiva entrando na cerimônia; ele já viu inúmeras outras noivas em outros casamentos, mas nunca aquela, nunca a mulher dele vestida daquele jeito. Deu para entender, né?
  • Secundidade – começa onde a primeiridade termina, é a reação à ação. Seguindo o exemplo do noivo, acontece quando ele passa a observar melhor a noiva, o caminhar, o bouquet, a maquiagem… quando raciocina sobre aquele momento tão único, singular.
  • Terceiridade – é a categoria da norma, da cultura, dos costumes. Ainda no exemplo anterior, uma convenção foi criada: a noiva não deve aparecer trajada com o vestido para o noivo antes da cerimônia, pois assim ele terá a experiência completa da primeiridade. Alguém fez, gostou do que fez e sugeriu a outros, que também gostaram; isso se tornou uma tradição.

Pois bem, segure-se na cadeira, vai ficar mais “punk”. Para entendermos esses fenômenos, precisamos conhecer seus signos (sinais, sintomas…). Um signo pode ser qualquer coisa (sim, isso mesmo que você está pensando): palavra, imagem, pessoa e até um sonho. Representa outra coisa, que é um objeto do signo. Além disso, ele gera um efeito de interpretação denominado interpretante do signo. Acho melhor continuar com nosso exemplo: a palavra NOIVA não é uma noiva (o objeto, ou o ser), mas te faz lembrar de uma e, se já é casado(a), te faz recordar do dia do seu casamento. Ou seja, o objeto do signo nem está presente, mas o signo (a palavra NOIVA) é interpretada por você de uma maneira única, pois seu amigo indiano ou asiático tem outra visão de noiva.

Ilustração por Júlio Sardinha

Semiótica – Fenômenos e Signos

Por isso é que dizem que se dois fotógrafos estiverem no mesmo local, e com o mesmo equipamento, não teremos duas fotografias iguais, pois cada um interpreta o mundo de maneira única de acordo com sua vivência e costumes. Sem contar que ainda há o fator emocional do momento.

Vou parar com a teoria e ir direto ao ponto. É muito importante que você, como artista/técnico audiovisual, perceba os signos ao seu redor quando estiver filmando/editando. Uma parede com tinta descascada pode significar uma coisa para você, mas a maneira em que a exibe pode causar interpretações completamente diferentes em sua audiência. Filmar, ou fotografar, não é somente apertar um botão. Justamente por causa disso, é necessário conhecer a fundo o que se produz. Só assim você poderá se destacar da multidão de profissionais e amadores do ramo que ainda não refletiram sobre isso. Comece a prestar atenção no mundo ao seu redor, observe os pequenos detalhes e sinta-os. Viva o momento e controle suas sensações para que, ao filmar, consiga transmitir o que realmente deseja.

Quem nunca esteve diante de uma lua cheia maravilhosa e, quando resolveu filmar percebeu que, na tela, ela se tornara um pontinho brilhante na imensidão celeste. Quem, nesse primeiro momento, teve a “frieza” de olhar ao redor e, contudo, aproveitar-se da cena, criando uma composição interessante do cenário com a lua, mesmo pequena, no céu?

É isso, espero ter contribuído com o aprimoramento de seu olhar e com o seu sucesso na área do audiovisual. Deixo, logo abaixo, as referências de estudo para quem quiser se aprofundar e registro aqui meu agradecimento ao professor Carlos “Trovão” de Brito e Mello, que teve a difícil tarefa de me fazer entender o que hoje sei de Semiótica. Tchau!

By |2018-12-19T23:03:58+00:00outubro 24th, 2015|Artigos e Tutoriais, Cinematografia|0 Comments

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Tem paixão por resolver problemas em pré e pós-produção. Nunca entrega uma foto ou vídeo sem pelo menos gastar boas horas editando. Segundo Bruno do Val, já fotografava os tiranossauros rex mas, na verdade, começou aos doze de idade.

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