O que esperar da tecnologia fotográfica em 2016 (PARTE 01 – ISO ALTO)

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O que esperar da tecnologia fotográfica em 2016 (PARTE 01 – ISO ALTO)

Não sei quanto a você, mas eu fico ansioso quando anunciam alguma câmera nova, sempre observo atentamente as novidades tecnológicas que ela trará. Para 2016, estou muito empolgado, pois o fato da Sony ter mudado sua estratégia e ouvido mais os profissionais, fez com que ela alcançasse o topo das paradas de sucesso, tendo colocado a A6000, a A7sII e a A7rII no páreo. Isso fez com que a Canon e a Nikon se desesperassem (tudo bem, posso parecer exagerado, mas penso assim pelos anúncios que vi ano passado em que elas tentaram conter a migração prometendo novidades num futuro próximo) e, para nós fotógrafos e cinematógrafos, foi extremamente benéfico. Nada melhor que 3 gigantes competindo – além de outras empresas menores – por nós, buscando cada vez mais inovações com o intuito de nos agradar. Agrados esses que nos ajudarão a ser mais criativos e cortarão o sofrimento com “guess work” (trabalho de adivinhação).

Escrevo esse artigo (que será dividido em partes para não ficar grande e enjoativo) para facilitar o entendimento do jargão tecnológico produzido nos anúncios da indústria, para te ajudar a escolher sua próxima câmera com base nas especificações técnicas e também para elencar as possibilidades criativas dessas inovações. Vamos lá?

Alta sensibilidade (ISO de 51.200 para cima)

Você ouvirá muito o termo “low-light monster” quando se referirem a câmeras que conseguem enxergar melhor no escuro que nossos próprios olhos. Até o momento, temos três fortes concorrentes, a Sony A7s (tanto a primeira quanto a segunda versão), a Canon ME20F-SH e a recém anunciada Nikon D5. Lembre-se de que quanto maior é o ISO mais ruído é gerado, portanto, o desafio é produzir um sensor que tenha uma boa relação entre sinal e ruído (SNR, signal to noise ratio), ou seja, que possa captar melhor a baixa luminosidade mantendo o controle da temperatura interna e da interferência eletromagnética gerada pelo excesso de corrente e a proximidade dos fotodiodos.

Pensando criativamente, essas câmeras possibilitam a fotografia e a filmagem de situações que eram impensáveis até metade de 2014, antes do lançamento da A7s. A web já está populada de reviews, testes e até curtas filmados somente com a luz da lua cheia. Agora, a aurora boreal pode ser filmada em tempo real e antes, tudo o que víamos, era através de timelapses (várias fotos tiradas em longa exposição unidas para dar a impressão de movimento em um filme). Confesso que fui bem cético e duvidei dessas produções, mas depois que coloquei as mãos num desses equipamentos, pude sentir todo o poder da tecnologia empregada. É FANTÁSTICO!

Até aqui falei das “monstras”, que vão de ISO 409.600 para cima, mas preciso citar as câmeras que lidam muito bem com ruído, apresentando imagens descentes com ISO consideravelmente maior que o da geração anterior. Elas são ideais para quem acha que não precisa de tanto ou para quem busca maior resolução, pois o lado ruim de ter imagens sem ruído com baixa luminosidade é a pouca resolução que se obtém (apesar de que 12MP são mais que suficientes para impressão de fotos). Menções honrosas vão para Fujifilm XT-1, Nikon D750, Sony A6000, Sony A7II, Sony A7rII e Sony RX-100 IV.

Desmistificando a tecnologia

Ao ler as especificações destas câmeras, atente não só para o valor alto do ISO. Procure saber se ele é estendido e até quanto vai o nativo. Ficou confuso? É assim mesmo, todo mundo têm teorias sobre alcance ISO, mas fica mais simples se você entender que, quando muda o ISO, a câmera está ajustando o ganho do sinal (semelhante ao aumentar o volume do som num aparelho de áudio), ou seja, está amplificando um sinal analógico para que o sensor o torne digital. Cada leitura do sensor pode ser amplificada ao ponto do fabricante marcá-la como não utilizável. É esse intervalo, do menor para o maior, que representa o ISO nativo. O termo expandido (ou estendido) aparece quando é necessário diminuir ou aumentar pontos de luz por meio de processamento de software, que é algo semelhante ao que fazemos no Lightroom (ou outros processadores de RAW) ao ajustar exposição, ruído e nitidez.

Vou dar um exemplo considerando minha experiência com a Sony A7s: o ISO nativo dela vai de 100 até 102.400 e o estendido de 50 até 409.600 para fotografia. Caso eu clique com ISO 102.400, estarei utilizando o máximo de amplificação que o sensor foi projetado para aguentar. Se subir o ISO para 409.600, a câmera utilizará o máximo de amplificação que o sensor suporta (os mesmos 102.400) e aumentará a exposição em mais 2 pontos (stops). Isso fará com que os defeitos da amplificação do sinal se tornem mais visíveis através do aumento do ruído de luminância (luz) e de crominância (cor). A grande inovação dos fabricantes é fazer com que esses defeitos sejam minimizados através de algoritmos especializados.

Considere antes de comprar

  • Diferença baixa entre ISO nativo e ISO estendido (2 stops é bem aceitável atualmente);
  • Tamanho do sensor (quanto maior, mais sensibilidade e pouco ruído);
  • Espaçamento dos fotodiodos (quanto maior o espaço, menos interferência eletromagnética durante a amplificação do sinal);
  • Megapixels efetivos (a relação entre o tamanho do sensor e o espaçamento dos fotodiodos. Menos pixels, mais espaço)

Fim da primeira parte. Gostou? Ainda falaremos sobre:

Os links serão atualizados assim que o conteúdo estiver disponível.

By |2017-01-05T15:14:14+00:00janeiro 27th, 2016|Artigos e Tutoriais, Cinematografia, Equipamentos, Fotografia|0 Comments

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Tem paixão por resolver problemas em pré e pós-produção. Nunca entrega uma foto ou vídeo sem pelo menos gastar boas horas editando. Segundo Bruno do Val, já fotografava os tiranossauros rex mas, na verdade, começou aos doze de idade.

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