Ensaio: A apreciadora e os apressados

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Ensaio: A apreciadora e os apressados

A ideia central desse ensaio era falar (e questionar) sobre o ritmo acelerado da sociedade atual e a inexistência de tempo (por falta de opção ou escolha) para reparar no ambiente à nossa volta e na rica diversidade de vida acontecendo nele. Já percebeu como estamos sempre correndo para tudo e raramente olhamos as coisas bacanas que estão acontecendo ao nosso redor? Você se perdoaria por não ver o U2 tocando ao vivo em uma estação de metrô por ter passado por eles com pressa para não perder a novela das 9h? (Isso meio que aconteceu, clique aqui para ver) Enfim, inúmeras são as oportunidades desperdiçadas pelo simples fato de não prestarmos mais atenção no nosso dia a dia. E isso me incomoda. Sendo assim, resolvi criar um ensaio fotográfico para falar sobre esse assunto e foi assim que nasceu “A apreciadora e os apressados”.

Na defesa do projeto para a universidade (que pode ser lido na íntegra clicando aqui), descrevi o gênero do trabalho como sendo artístico autoral, uma vez que apresenta uma proposta de cunho social e comportamental embutida, ou seja, com objetivo claro a fim de questionar valores e postura da sociedade atual através de imagens artísticas que levam o expectador à uma reflexão pessoal e/ou coletiva. No entanto, lendo um artigo para a dissertação de mestrado da fotógrafa Katia Lombardi (que é tão bom que merece um post só falando dele e farei posteriormente), e conversando com a minha orientadora Dunya Azevedo, pude perceber que esse ensaio também se tratava de um documentário imaginário, uma vez que a está presente a documentação do ritmo da sociedade, mas de uma maneira diferente, artística e não literal.

O texto de conceituação do projeto está bem bacana. De uma maneira até poética, as palavras dão um bom suporte às imagens, instigando ainda mais a curiosidade dos expectadores.

É sabido que o regime atual da sociedade possui diversos fatores, como o modelo econômico capitalista, que obriga os cidadãos a se submeterem a uma, muitas vezes, árdua e dura rotina pela sobrevivência. Segundo o dicionário, rotina significa:

“s.m. Sucessão de tempos fortes e fracos que se alternam com intervalos regulares na natureza e nas artes (na linguagem, na poesia, na música); cadência, compasso: ritmo poético. A palavra vem do grego rhythmos, que significa movimento compassado.”

Acordar cedo, tomar café, se arrumar, sair para o trabalho. O mesmo caminho feito ontem será percorrido hoje e prospectado amanhã. “Deus ajuda quem cedo madruga”, diz o ditado popular. É preciso se apressar, pois o ônibus está a caminho. Hora de almoço: são duas. Às vezes apenas uma. É melhor voltar, pois o expediente ainda não acabou. A aula à noite é importante, pois vai possibilitar uma vida melhor no futuro, para mim e para os meus. Os olhos fecham. O sono vem. Amanhã, reinicia o processo. O ritmo anda acelerado. As pessoas já não possuem mais tempo vago, para sua família, para o seu lazer, para elas mesmas. No seu lugar, a pressa. Suas vontades viraram itens na lista de compromissos. Entre o supermercado e pegar as crianças na escola, estão o salão de beleza às

19h30 ou o futebol às 21h. Mesmo os grandes centros urbanos sendo organismos vivos e pulsantes – e talvez por isso, eles são repletos de atrações interessantes e belezas espalhadas por todos lados. Mas já não reparamos mais, não apreciamos mais. Estamos com pressa, temos hora marcada para o próximo compromisso.

Por fim, o ensaio teve um merecido destaque em uma das revistas de fotografia mais importantes do País, a Fotografe Melhor. Escrito com uma profunda sensibilidade pela jornalista Karina Sérgio Gomes, A “Apreciadora” ganhou três páginas na edição que comemorava o 19º aniversário do revista, agora em setembro de 2015.

O ensaio completo pode ser visto no site www.brunodoval.com.br

By |2017-01-05T15:14:17+00:00outubro 20th, 2015|Notícias|0 Comments

About the Author:

Graduado em fotografia pela Universidade FUMEC (2015), Bruno do Val é nascido em Santos (SP) mas escolheu Belo Horizonte como seu lar desde 2007. Iniciou na fotografia em 2010 e seus estilos preferidos são fotografia de natureza / paisagens e artístico autoral. (www.brunodoval.com.br)

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