Por onde começar?

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Por onde começar?2017-01-05T15:14:13+00:00

Introdução

Caros amigos e amigas!

Preparamos para vocês um curso introdutório, mas detalhado, em fotografia (e o melhor, gratuito!). Ao longo desta página você estudará desde os conceitos básicos, como os três pilares da fotografia técnica (ISO, velocidade e abertura), os variados tipos de distâncias focais nas lentes, tipos de sensores e até um pouco de composição. Ou seja, um apanhado geral de tudo que você precisa saber para iniciar nesse longo mas prazeroso mundo das imagens. Leia com calma e atenção, sem pressa. Estar confortável com o conteúdo apresentado nesta página é premissa básica para começar a se desenvolver na fotografia. Vamos lá?!

Exposição

Não há fotografia sem luz. Luz e sombra criam formas e texturas, trazem sensação de profundidade à cena. Já percebeu que ao sair de um quarto muito escuro, seus olhos só enxergam um clarão e vão se adaptando aos poucos até que você consiga ver tudo claramente? Pois é, nossos olhos se ajustam o tempo todo a mudanças de luminosidade… sua câmera também.

Exposição é o conjunto de mecanismos em sua câmera que controlam a intensidade, o tempo e a absorção de luz que chega ao sensor. Um bom fotógrafo deve utilizar esses recursos para se expressar e guiar o olhar do espectador por todos os elementos que compõem sua fotografia. Confira:

O ajuste de abertura, medido em F-Stops (ƒ), controla a intensidade de luz que atinge o sensor da câmera. Ele acontece no diafragma da lente, que é como a íris de nossos olhos. Quanto maior o “buraco”, mais luz passa pela lente e chega ao sensor.

Algo que confunde os iniciantes é que uma grande abertura é representada por um número pequeno e vice-versa. Então, ƒ/2 é maior que ƒ/10. O objetivo agora não é complicar, mas fica fácil entender se levarmos para a matemática. Imagine o ƒ = 1, então 1/2 > 1/10, certo?

É com esse ajuste que controlamos a profundidade de campo que é, em termos básicos, a quantidade de luz em foco que passa pela lente. Quanto menor a abertura, mais profundidade de campo é obtida.

O ajuste de velocidade, medido em segundos (s ou ), controla por quanto tempo a luz permanece na superfície do sensor. Ele acontece no obturador da câmera, que é como uma cortina, que abre e fecha durante o tempo solicitado. Quanto mais tempo o obturador fica aberto, mais luz chega ao sensor.

É com esse ajuste que controlamos a sensação de movimento em uma fotografia. Traçados ocorrerão se a cena contiver objetos que se movam em velocidade superior ao do ajuste. Ou seja, se obturador é aberto e fechado em 1s, tudo o que estiver se movendo durante esse período aparecerá borrado na foto.

O ajuste de sensibilidade, medido em escala aritmética (ISO, atualmente), controla a qualidade da luz que o sensor absorve. Ele acontece entre o sensor e o processador de sua câmera, que aumenta e diminui o sinal elétrico dos dados recebidos.

Quanto maior o número, mais luz é absorvida pelo sensor. Porém isso resulta numa foto com mais ruídos, similar ao que ocorre ao aumentarmos o volume de um aparelho de som; fica mais alto, porém se ouve mais chiado.

Em ISOs baixos, o ruído mais perceptível é o de luminância (lembra os grãos da fotografia analógica, mais simples de se remover durante a edição). Já em ISOs altos, há a introdução do ruído de crominância (as cores começam a se misturar, esse tipo é mais complexo de se remover e é esteticamente feio).

exemplo-ISO

Vale lembrar que esse conjunto de ajustes é o que deixa sua fotografia mais clara ou mais escura. Ou seja, para se ter uma foto com exposição otimizada (nem muito clara e nem muito escura), é necessário alterar a abertura, a velocidade ou o ISO individualmente e compensar cada um dos outros.

Fotômetro

Nesse momento, entra um instrumento essencial que irá te ajudar medir a luz de uma cena. É o fotômetro, e sua câmera é equipada internamente com um desses. Ele faz cálculos de exposição de acordo com a quantidade de luz que recebe e os representa numa escala de exposição que vai de números negativos, passa pelo zero e continua com números positivos (-3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, geralmente).

exemplo-Fotometro

Se -2, por exemplo, for indicado como a exposição atual, teremos uma fotografia escura, subexposta. Se for +2, teremos um fotografia clara, superexposta. Se for 0, teremos uma exposição correta, normal.

Que tal exemplos para facilitar a compreensão? Aqui vão eles:

Você quer tirar a foto de uma pessoa numa praça, quer que ela fique nítida e que o fundo fique desfocado.

Para desfocar o fundo, precisamos de uma grande abertura, ou seja, mais luz entrando pela lente. Digamos que a abertura máxima de sua lente seja ƒ/2.8 e você a selecione, o obturador indica 1/30s e o ISO é 100. Olhando o fotômetro, percebe que EV +3 é o valor exibido. Se clicar, perceberá que tudo sairá muito claro, estourado, superexposto.

Diante disso, o ideal é ajustar o obturador 3 pontos (stops) acima (1/60s, 1/125s e 1/250s) e manter o ISO 100, pois não queremos que mais luz seja captada pelo sensor. Observe que agora o fotômetro exibe EV 0 e que, ao clicar, sua foto ficará com a exposição correta e com o fundo desfocado.

Você quer tirar uma foto de alguém andando de bicicleta e quer que essa pessoa apareça nítida, sem borrões de movimento.

Ajuste o obturador para “congelar” o movimento de um objeto, digamos que você selecione 1/500s como velocidade de captura, abertura ƒ/8 e ISO 100. Olhando o fotômetro, percebe que EV -3 é exibido. Se clicar, perceberá que tudo sairá muito escuro, subexposto.

É legal que o fundo também esteja desfocado para guiar o olhar do espectador ao ciclista, então basta ajustar a abertura em 3 pontos (stops) acima (ƒ/5.6, ƒ/4 e ƒ2.8) e manter o ISO em 100. Observe que agora o fotômetro exibe EV 0 e que, ao clicar, sua foto ficará com a exposição correta e a bicicleta parada e focada.

Você quer fotografar amigos num jantar à luz de velas. O local é escuro e utilizar o flash não é uma boa opção, pois tira o clima da cena e quebra a naturalidade dos convidados, chamando a atenção para a câmera.

Então você seleciona ISO 100, abertura ƒ/2.8 e obturador 1/30s. Olhando o fotômetro, percebe que EV -3 é exibido. A foto ficará subexposta, escura, se clicar. Para captar toda a iluminação, e o clima gerado por ela, é necessário que seu sensor seja mais sensível à luz.

A abertura é a máxima de sua lente, não há como deixar mais luz entrar. Se selecionar velocidade abaixo de 1/30s, o movimento das pessoas às deixará borradas e qualquer tremida sua ao clicar também diminuirá a nitidez. Agora é hora de ajustar o ISO em 3 pontos (stops) acima (200, 400 e 800). Observe que agora o fotômetro exibe EV 0 e que, ao clicar, sua foto ficará com a exposição correta e todo o ambiente será retratado com mais fidelidade.

Que tal testar o conhecimento que adquiriu até agora? O pessoal do camerasim.com preparou um simulador extremamente interessante e útil para nós. Ele apresenta uma interface na qual podemos brincar com os ajustes de exposição e visualizar o resultado instantaneamente ao clicar no botão prata que aparece no canto inferior direito do quadro. Divirta-se!

(Caso o simulador não apareça para você, é porque está acessando através um dispositivo que não roda aplicativos em Flash, como os tablets e os smartphones atuais. Sugerimos que use um computador para isso, pois vale a pena.)

Balanço de branco

O mundo é cheio de luz, cada uma das fontes luminosas têm características diferentes e uma delas é a temperatura de cor, medida em Kelvin (K). Para conseguir cores precisas em suas fotos, é necessário calibrar a câmera de acordo com o tipo de luz que você quer captar, essa calibração é feita através do balanço de branco, que é um assunto bem complexo e criaremos um artigo exclusivo dedicado a ele.

Para iniciantes, o ideal é deixar esse ajuste no automático e não se preocupar muito, pois as câmeras atuais são ótimas e conseguem se adaptar aos mais variados ambientes. Claro que nem sempre acertam e é nesse momento que devemos agir de forma manual.

O mais simples é selecionar um dos ajustes pré-definidos (presets) que a câmera possui:

  • Luz do dia – ideal para fotografar durante o dia, a céu aberto.
  • Nublado – ideal para externas, com céu nublado. Ele elimina o azul excessivo característico desses dias e deixa a cena mais quente.
  • Tungstênio – ideal para ambientes internos iluminados por lâmpadas incandescentes. A temperatura de cor selecionada é mais quente e isso elimina o amarelado excessivo causado por lâmpadas do tipo.
  • Fluorescente – ideal para ambientes iluminados por lâmpadas fluorescentes. Use-o para conseguir fotos com tons mais claros e quentes através compensação do excesso de tonalidade azulada causados por lâmpadas do tipo.
  • Flash – se vai utilizar flash esse é o ajuste ideal, pois seleciona justamente a temperatura de cor emitida por ele.
  • Personalizado ou manual – o ajuste não deixa de ser simples, consiste basicamente em apontar para algum objeto totalmente branco, inserido na cena, e apertar um botão de confirmação. Cada câmera realiza esse processo de uma maneira, então é bom ler o manual.

WBpresets_by_JS

Aqui vai uma dica especial: se você fotografar em RAW (formato digital que capta os dados vindos do sensor de forma bruta, sem edição prévia), não terá que se preocupar com o balanço de branco, pois ele pode ser ajustado durante o pós-processamento, sem perdas significativas.

Distância focal

Distância focal é a distância entre o centro ótico de uma lente e o sensor da câmera quando focada no infinito. Complementando, o centro ótico é onde os raios de luz se cruzam, geralmente no centro da lente. Uma distância focal curta nos dá um campo de visão amplo e, consequentemente, pouca magnificação. Uma distância focal longa nos dá um campo de visão curto e, consequentemente, muita magnificação.

As lentes são classificadas pela distância focal, que é medida em milímetros (mm) e aparece impressa no cilindro e no anel frontal delas. Basicamente, temos três grupos de lentes:

Distância focal menor que 42mm. Esse tipo de lente achata a imagem para que ela caiba no quadro do sensor, o que resulta em bordas distorcidas, muita profundidade de campo e a sensação de que os objetos, em diferentes profundidades, estão mais afastados que o normal.

exemplo-GrandeAngular

Distância focal entre 42mm e 55mm. Elas nos oferecem uma imagem sem distorções, com aparência similar à visão humana em termos de perspectiva e ângulo de visão.

exemplo-Normal

Distância focal acima de 55mm. Elas recortam e ampliam cenas distantes para que caibam no quadro sensor e isso resulta em pouca profundidade de campo e a sensação de que os objetos, em diferentes profundidades, estão mais próximos que o normal. É o tipo de lente mais suscetível à aberrações cromáticas (cores irregulares nas bordas de objetos em alto contraste – linhas magenta ou ciano nas folhas das árvores quando o fundo é o céu, por exemplo), principalmente nas de baixo custo. Esse problema é muito bem controlado nas lentes mais caras através de coberturas especiais no vidro delas.

exemplo-Telefoto

Além dessa classificação, contamos com a diferenciação entre lentes com distância focal fixa (lentes fixas) e com distância focal variável (lentes zoom). Geralmente as fixas têm melhor qualidade por não possuírem elementos móveis que atrapalham a transmissão da luz, enquanto as zoom são mais versáteis por possibilitarem ajustes na composição sem que seja necessário mover a câmera de lugar.

exemplo-Zoom

Há também lentes específicas para certos tipos de trabalho, como as lentes olho-de-peixe (fish-eye), as lentes tilt-shift e as lentes macro. A primeira capta 180° do ângulo de visão e projeta uma imagem circular. A segunda possibilita a manipulação de perspectiva de uma imagem e é muito utilizada em fotos arquitetônicas. Já a terceira, possibilita um ponto de focagem mais próximo que uma lente comum e isso ajuda a obtenção de imagens ampliadas de objetos e seres minúsculos, como insetos.

exemplo-Fisheye

exemplo-TiltShift

exemplo-Macro

Campo de Visão

Seu olho tem um campo de visão, que é a largura do quanto você consegue enxergar sem precisar movê-lo. A lente também possui essa característica, que é determinada pela distância focal. Como já sabemos, uma lente grande-angular tem o campo de visão amplo e uma telefoto tem o campo de visão curto.

Essa equação ainda recebe o tamanho do sensor como parâmetro, pois a lente é cilíndrica e o sensor é quadrado. Para que não ocorra vinhetamento (bordas escuras e arredondadas) excessivo nas fotos, é necessário que parte da imagem seja recortada e as laterais acabam sendo descartadas. Quanto maior for o sensor, maior o campo de visão que ele consegue captar.

Atualmente, os principais tamanhos de sensor para câmeras DSLR são o APS-C e o Full-frame, sendo o último do tamanho de um filme 35mm e o primeiro um pouco menor. Não vamos entrar em detalhes, agora você precisa saber que quando uma lente é utilizada num sensor APS-C, a medida da distância focal permanece a mesma, porém o campo de visão fica reduzido e passa a ter um valor equivalente de distância focal.

Mas o que isso significa? Significa que uma lente 50mm num sensor APS-C passa a cobrir um ângulo similar ao de uma lente de 75mm num full-frame. O sensor APS-C é 1,5 vezes menor que o full-frame, então para chegarmos nessa equivalência, basta multiplicar a distância focal por 1,5. Logo, de acordo com o exemplo, 50 x 1,5 = 75.

exemplo-Sensor

Foco

É um ajuste utilizado para trazer nitidez ao objeto sobre o qual se deseja dar destaque. Há, basicamente, quatro modos de foco:

  • Modo Simples – digamos que esse modo seja semi-automático, pois a câmera só faz o ajuste quando você pressionar até a metade o botão do obturador. O foco ficará travado até que se clique novamente.
  • Modo Contínuo – é melhor utilizado quando se quer fotografar objetos a diferentes distâncias e que se movam rapidamente. O foco é ajustado o tempo todo e nunca permanece travado.
  • Modo Automático – é simplesmente a reunião dos modos simples e contínuo. Ele seleciona cada um deles de acordo com a movimentação na cena.
  • Modo Manual – nesse, você tem todo o controle criativo para guiar o olhar do espectador. É necessário girar o anel de foco, escolhendo-se o que focar.

Composição

Quando iniciantes, ao vermos algo atraente – uma cena, uma pessoa, um objeto – o impulso inicial é sacar a câmera e clicar. Só que, o que parece bonito a olho nú pode não ficar tão legal no “quadradinho” da foto.

Isso ocorre porque nossos olhos não controlam a visão, o responsável por ela é o cérebro e ele é subjetivo, interpreta as imagens de acordo com nosso estado emocional. É por isso que a cena de um recém-nascido é belíssima para os pais e, entretanto, normal – ou até “feinha” – para outras pessoas que não têm haver com a família. Já a câmera é objetiva, não capta emoções, cabe ao fotógrafo trazer esses sentimentos através de uma boa exposição e de uma excelente composição dos elementos, algo essencial para se conseguir bons resultados.

A regra de composição mais comum, e que traz ótimos resultados, é a Regra dos Terços, que consiste em dividir, horizontal e verticalmente, a cena em três partes iguais. Os objetos que se deseja destacar, devem permanecer nas interseções.

exemplo-RegraTercos

Finalizando

Ufa! Parece que foi muita informação, né? Mas isso tudo que você viu só arranha a superfície do grandioso mundo da fotografia… E agora, está esperando o quê? Pega a câmera e vá clicar! Coloque tudo o que leu aqui em prática, pois só ela te fará melhor. Só não se esqueça de uma coisa bem importante: sempre que tiver uma dúvida, conte conosco para resolvê-la. 🙂

Mais uma pequena dica: o CineStudio dispõe de duas ferramentas ótimas para divulgar suas fotos e também conseguir opiniões de outros fotógrafos sobre suas criações. Uma delas é o Cliques CineStudio e a outra é o grupo do Flickr. No Cliques, basta enviar uma foto para o Instagram, Flickr ou TwitterPic com a hashtag #cinestudio para que ela apareça aqui no site. No grupo do Flickr, além de enviar as fotos, poderá participar de discussões em forma de tópicos e aprender muito com a galera. APROVEITE!

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